O
Espiritismo representa uma fase nova da evolução humana. A lei que, através dos
séculos, tem conduzido as diferentes frações da Humanidade, longo tempo
separadas, a gradualmente aproximar-se, começa a fazer sentir no Além os seus
efeitos.
Os
modos de correspondência que entretêm na Terra os homens vão-se estendendo
pouco a pouco aos habitantes do mundo invisível, enquanto não atingem, mediante
novos processos, as famílias humanas que povoam as Terras do espaço.
Contudo,
nas sucessivas ampliações do seu campo de ação, a Humanidade tropeça em
inúmeras dificuldades. As relações, multiplicando-se, nem sempre trazem
favoráveis resultados; também oferecem perigos, sobretudo no que se refere ao
mundo oculto, mais difícil que o nosso de penetrar e analisar.
Lá,
como aqui, o saber e a ignorância, a verdade e o erro, a virtude e o vício
existem, com esta agravante: ao passo que fazem sentir sua influência,
permanecem encobertos aos nossos olhos; donde a necessidade de abordar o
terreno da experimentação com extrema prudência, de longos e pacientes estudos
preliminares.
É
necessário aliar os conhecimentos teóricos ao espírito de investigação e de
elevação moral, para estar verdadeiramente apto a discernir no Espiritismo o
bem do mal, o verdadeiro do falso, a realidade da ilusão. E preciso
compenetrar-se do verdadeiro caráter da mediunidade, das responsabilidades que
acarreta, dos fins para que nos é concedida.
O
Espiritismo não é somente a demonstração, pelos fatos, da sobrevivência; é
também o veículo por que descem sobre a Humanidade as inspirações do mundo
superior. A esse título é mais que uma ciência, é o ensino que o Céu transmite
da Terra, reconstituição engrandecida e vulgarizada das tradições secretas do
passado, o renascimento dessa escola profética que foi a mais célebre escola de
médiuns do Oriente.
Com
o Espiritismo, as faculdades, que foram outrora o privilégio de alguns, se
difundem por um grande número. A mediunidade se propaga; mas de par com as vantagens
que proporciona, é necessário estar advertido dos seus escolhos e perigos.
Há,
na realidade, dois espiritismos. Um nos põe em comunicação com os Espíritos
superiores e também com as almas queridas que na Terra conhecemos e que foram à
alegria da nossa existência. É por ele que se efetua a revelação permanente, a
iniciação do homem nas leis supremas.
E
a fonte pujante da inspiração, a descida do Espírito ao envoltório humano, ao
organismo do médium que, sob a sagrada influência, pode fazer ouvir palavras de
luz e de vida, sobre cuja natureza é impossível o equívoco, porque penetram e
reanimam a alma e esclarecem os obscuros problemas do destino.
A
impressão de grandiosidade que se desprende dessas manifestações deixa sempre
um vestígio profundo nos corações e nas inteligências. Aqueles que nunca o
experimentaram, não podem compreender o que é o verdadeiro Espiritismo.
Há,
em seguida, um outro gênero de experimentação, frívolo, mundano, que nos põe em
contacto com os elementos inferiores do mundo invisível e tende a amesquinhar o
respeito devido ao Além. Uma espécie de profanação da religião da morte, da
solene manifestação dos que deixaram o invólucro da carne.
Força,
entretanto, é reconhecer: ainda esse Espiritismo de baixa esfera tem sua
utilidade. Ele nos familiariza com um dos aspectos do mundo oculto. Os
fenômenos vulgares, as manifestações triviais fornecem às vezes magníficas
provas de identidade; sinais característicos se evidenciam e forçam a convicção
dos investigadores.
Não
nos devemos, porém, deter na observação de tais fenômenos senão na medida em
que o seu estudo nos seja proveitoso e possamos exercer eficiente ação sobre os
Espíritos atrasados que os produzem. Sua influência é molesta e deprimente para
os médiuns. É preciso elevar mais altas as aspirações, subir pelo pensamento a
regiões mais puras, aos superiores domicílios do Espírito. Somente aí encontra
o homem as verdadeiras consolações, os socorros, as forças espirituais.
Nunca
será demasiado repeti-lo: nesse domínio jamais obteremos efeitos que não sejam proporcionais
às nossas condições. Toda pessoa que, por seus desejos, por suas invocações,
entra em relação com o mundo invisível, atrai fatalmente seres em afinidade com
seu próprio estado moral e mental.
O
vasto império das almas está povoado de entidades benfazejas e maléficas; elas
se desdobram por todos os graus da infinita escala, desde as mais baixas e
grosseiras, vizinhas da animalidade, até os nobres e puros Espíritos,
mensageiros de luz, que a todos os confins do tempo e do espaço vão levar as
irradiações do pensamento divino.
Se
não sabemos ou não queremos orientar nossas aspirações, nossas vibrações
fluídicas, na direção dos seres superiores, e captar sua assistência, ficamos à
mercê das influências más que nos rodeiam, as quais, em muitos casos, têm
conduzido o experimentador imprudente às mais cruéis decepções.
Se,
ao contrário, pelo poder da vontade, libertando-nos das sugestões inferiores,
subtraindo-nos das preocupações pueris, materiais e egoísticas, procuramos no
Espiritismo um meio de elevação e aperfeiçoamento moral, poderemos em tal caso
entrar em comunhão com as grandes almas, portadoras de verdades; fluidos
vivificantes, regeneradores nos penetrarão; alentos poderosos nos elevarão das
regiões serenas donde o espírito contempla o espetáculo da vida universal,
majestoso harmonia das leis e das esferas planetárias.
Compilado
do livro: No Invisível
Autor:
Leon Denis