Cada alma humana é uma projeção do grande Foco Eterno e é isso o
que consagra e assegura a fraternidade dos homens. Temos em nós os instintos
animais, mais ou menos comprimidos pelo trabalho longo e pelas provas das
existências passadas, e temos também a crisálida do anjo, do ser radioso e
puro, que podemos vir a ser pela impulsão moral, pelas aspirações do coração e
pelo sacrifício constante do “eu”.
Tocamos com os pés as profundezas sombrias do abismo e com a fronte
as alturas fulgurantes do céu, o império glorioso dos Espíritos. Quando
aplicamos o ouvido ao que se passa no fundo do nosso ser, ouvimos como o ruído
de águas ocultas e tumultuosas, o fluxo e refluxo do mar agitado da
personalidade que os vendavais da cólera, do egoísmo e do orgulho encapelam.
São as vozes da matéria, os chamamentos das baixas regiões, que
nos atraem e influenciam ainda as nossas ações; mas podemos dominar essas
influências com a vontade, podemos impor silêncio a essas vozes.











