Automatismo e corpo espiritual

Automatismo fisiológico: Compreensível salientar que o princípio inteligente, no decurso dos evos, plasmou em seu próprio veículo de exteriorização as conquistas que lhe alicerçariam o crescimento para maiores afirmações nos horizontes evolutivos.

Dominando as células vivas, de natureza física e espiritual, como que empalmando-as a seu próprio serviço, de modo a senhorear possibilidades mais amplas de expansão e progresso, sofre no plano terrestre e no plano extraterrestre as profundas experiências que lhe facultarão, no bojo do tempo, o automatismo fisiológico, pelo qual, sem qualquer obstáculo, executa todos os atos primários de manutenção, preservação e renovação da própria vida.


Atividades reflexas do inconsciente: Sabemos que, em nos propondo aprender a ler e escrever, antes de tudo nos consagramos à empresa difícil de assimilação do alfabeto e da escrita, consumindo energia cerebral e coordenando o movimento dos olhos, dos lábios e das mãos, em múltiplas fases de atenção e trabalho, de maneira a superar nossas próprias inibições, para, depois, conseguirmos ler e escrever, mecanicamente, sem qualquer esforço, a não ser aquele que se refere à absorção, comunicação ou materialização do pensamento lido ou escrito, porquanto a leitura e a grafia ter-se-ão tornado automáticas na esfera de nossa atividade mental.

A Gália – Leon Denis

A Gália conheceu a grande doutrina; possuiu-a sob uma forma poderosa e original; soube dela tirar consequências que escaparam aos outros países. “Há três unidades primitivas, diziam os druidas, Deus, a Luz, e a Liberdade.”

Quando a Índia já andava dividida em castas estacionárias, em limites infranqueáveis, as instituições gaulesas tinham por bases a igualdade de todos, a comunidade de bens e o direito eleitoral.


Nenhum dos outros povos da Europa teve, no mesmo grau, o sentimento profundo da imortalidade, da justiça e da liberdade. É com veneração que devemos estudar as tendências filosóficas da Gália, porque aí encontraremos, fortemente denunciadas, todas as qualidades e também todos os defeitos de uma grande raça.

Obsessões Espirituais – Jorge Andréa

A obsessão representa um estado alterado de consciência, causado por emissão externa determinada por entidade espiritual afinizada com o receptor. Tais irradiações resultantes do processo obsessivo, em sua maioria, mostram-se negativas, isto é, doentias pelo que determinam na organização mental.

Esta conceituação, diante de imensos e variados acontecimentos, foi bem estudada pela Doutrina Espírita que lhe deu condições de veracidade, embora, desatentos e preconceituosos observadores, desconhecendo as razões espirituais, situam o processo obsessivo como sintomas originários, exclusivamente, na zona física dos tecidos cerebrais.


O processo obsessivo vem acompanhando as civilizações e sendo interpretado de acordo com as selagens intelectuais das diversas épocas, quase sempre com coloridos místicos religiosos.

Gratidão – Ave Luz

Tiago e João, dupla de homens, dupla de discípulos, dupla que abriu e fechou o testemunho de fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. A mulher de Zebedeu, certa feita, procura Jesus, conscientizada de que ele era verdadeiramente o Messias anunciado pelos profetas. Com os seus dois filhos do coração, pede ao Mestre, na sua ingenuidade, que João e Tiago pudessem tomar lugar no reino que lhe pertencia, um à direita e outro à esquerda. Jesus deu a entender que somente a Deus caberia aceitá-los ou não.

No entanto, responde com lealdade à mãe que exagera no zelo pelos filhos: Será que eles poderão beber do cálice que eu vou beber? Instintivamente, responderam os dois: Podemos! A história mostra-nos que beberam e que o Pai Celestial permitiu, na figuração que lhe é própria, um à esquerda do Mestre, e o outro à direita, só que não foi da maneira que a mãe extremosa idealizava, mas como a vida achou mais acertado.


Tiago foi o primeiro mártir do colégio apostolar, selando com o seu sangue a fidelidade e a gratidão pelo Mestre que tanto prezava. Este figurou pela esquerda. E João foi o último dos doze que selou o Evangelho com uma longa vida de disciplina e de dor, derramando maior cota de amor pela humanidade, sorrindo nos caminhos difíceis, por ser fiel ao seu Senhor.

As missões, a vida superior

Todo Espírito que deseja progredir, trabalhando na obra de solidariedade universal, recebe dos Espíritos mais elevados uma missão particular apropriada às suas aptidões e ao seu grau de adiantamento.

Uns têm por tarefa receber os homens em seu regresso à vida espiritual, guiá-los, ajudá-los a se desembaraçarem dos fluidos espessos que os envolvem; outros são encarregados de consolar, instruir as almas sofredoras e atrasadas.


Espíritos químicos, físicos, naturalistas, astrônomos, prosseguem suas investigações, estudam os mundos, suas superfícies, suas profundezas ocultas, atuam em todos os lugares sobre a matéria sutil, que fazem passar por preparações, por modificações destinadas a obras que a imaginação humana teria dificuldades em conceber; outros se aplicam às artes, ao estudo do belo sob todas as suas formas; Espíritos menos adiantados assistem os primeiros nas suas tarefas variadas e servem-lhes de auxiliares.

Deus simplesmente é

O que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, item l.

O Ser cuja realidade transcende o próprio universo permanece ainda incompreendido pela grande maioria de suas criaturas, de seus filhos. O homem já nasce com a intuição de que existe uma força soberana que se irradia em todo o universo, à qual dá o nome de Deus.

Entretanto, sabemos que a verdade, assemelha-se à luz da aurora, que vai clareando lentamente até atingir a exuberância do sol do meio-dia. O conhecimento do homem a respeito de seu Criador não foge à regra.


Inicialmente, não podendo compreender os atributos de um ente espiritual que detém todo o poder e todas as perfeições num grau absoluto, o homem passou a humanizar Deus, transformando-o segundo os seus conceitos, à sua imagem e à sua própria semelhança. Começa a emprestar ao Criador Supremo suas próprias imperfeições e cria a imagem de um Deus antropomórfico.

Respeito – Ave Luz

Retornamos, com prazer indizível, a falar de Filipe, o apóstolo maravilhoso que, com Pedro e André, forma a trilogia fecundante, ou seiva pura oriunda de Deus e cultivada em Betsaida. Filipe tornou-se o que, nos dias de hoje, classificam de repórter.

Vamos encontrar o discípulo de Jesus andando em Betsaida, tendo aos ombros um pequeno alforje que certamente acolhia a matulagem do dia. As ruas, bem cedo, se mostravam movimentadas pelas notícias dos fenômenos produzidos pelo Divino Mestre.


Camelos e jumentos enchiam as encostas, à procura de capim e folhagem que os abastecessem e os refizessem das grandes marchas. Filipe, solfejando algumas das suas canções prediletas, brinca com uma bengala improvisada, como se fosse um artista anunciando as suas mágicas.

Sexo e corpo espiritual

1. Hermafroditismo e Unissexualidade

Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convêm lembrar que, por milênios e milênios, o princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como, por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos.

Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozôides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.


Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica, entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos.

O Duplo Etérico

Entre o corpo físico e o perispírito, funcionando como intermediário para a ação perispirítica sobre o físico e deste para aquele, encontra-se o duplo etérico. Esse conjunto submete-se à ação do Espírito, que a ele se integra e sobre o qual age, permutando energias e comunicando-se com o mundo onde vive.

O duplo etérico forma-se com a encarnação do Espírito e não possui existência própria como o perispírito, desintegrando-se após a morte física. É uma espécie de corpo vaporoso, qual cartucho fluídico, que guarda certa semelhança com o corpo físico e a ele se ajusta, ultrapassando-lhe as dimensões em cerca de um centímetro, com o peso aproximado a 60 gramas.


Tal corpo fornece informações valiosas quanto ao estado de saúde física e evolução espiritual, quando observado sob os aspectos das emanações energéticas e colorido peculiar que traz.

A vida no Além

O ser humano, dissemos, pertence desde esta vida a dois mundos. Pelo corpo físico está ligado ao mundo visível; pelo corpo fluídico ao invisível. O sono é a separação temporária dos dois invólucros; a morte é a separação definitiva. A alma, nos dois casos, separa-se do corpo físico e, com ela, a vida concentra-se no corpo fluídico.

A vida de além-túmulo é simplesmente a permanência e a libertação da parte invisível do nosso ser. A antiguidade conheceu esse mistério, mas, desde muito tempo, sobre as condições da vida futura os homens apenas possuíam noções de caráter vago e hipotético.


As religiões e as filosofias nos transmitem, acerca desses problemas, dados muito incertos, absolutamente desprovidos de observação, de sanção e, sobre quase todos os pontos, em desacordo completo com as idéias modernas de evolução e continuidade.

A Carne é fraca

Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque se prendem mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes a consequência do organismo, e, por este motivo, delas se pode crer menos responsável; tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.

Está perfeitamente reconhecido hoje, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas ele não tem a bossa da música senão porque seu Espírito é músico.


Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, ela deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é, assim, o artífice de seu próprio corpo, que ele configura, por assim dizer, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e às manifestações de suas tendências. Estando isto posto, a perfeição do corpo nas raças avançadas seria o trabalho do Espírito que aperfeiçoa o seu aparelhamento à medida que as suas faculdades aumentam.

Atmosfera espiritual

O Espiritismo nos ensina que os Espíritos constituem a população invisível do globo, que estão no espaço e entre nós, nos vendo e nos acotovelando sem cessar, de tal sorte que, quando, nos acreditamos sós, temos constantemente testemunhas secretas de nossas ações e de nossos pensamentos. Isto pode parecer incômodo para certas pessoas, mas uma vez que assim é não se pode impedir que o seja; cabe a cada um fazer como o sábio que não tinha medo de que sua casa fosse de vidro.

Sem dúvida nenhuma, é a esta causa que é preciso atribuir a revelação de tantas torpezas e más ações que se cria enterradas na sombra. Além disso sabemos que, além dos assistentes corpóreos, há sempre ouvintes invisíveis; que sendo a permeabilidade uma das propriedades do organismo dos Espíritos, estes podem se encontrar em número ilimitado num espaço dado.


Frequentemente, nos foi dito que, em certas sessões, estavam em quantidades inumeráveis. Na explicação dada ao Sr. Bertrand a propósito das comunicações coletivas que obteve, foi dito que o número dos Espíritos presentes era tão grande, que a atmosfera estava, por assim dizer saturada de seus fluidos. Isto não é novo para os Espíritas, mas não se deduziu disto talvez todas as conseqüências.

Além da morte

Além da Morte chegam, sem solução de continuidade, as imensas caravanas de emigrantes da Terra. Procedentes dos mais variados rincões do Orbe, trazem estampados no espírito os sinais vigorosos que lhes refletem os últimos instantes no veículo celular.

Aportam no grande continente da Erraticidade, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados durante o trânsito pelo mundo das expressões físicas. Nem anjos nem demônios, mas homens que eram, homens que continuam.


A desencarnação não lhes modificou hábitos nem costumes, não lhes outorgou títulos nem conquistas, não lhes retirou méritos nem realizações. Cada um se apresenta como sempre viveu. Não ocorre milagre de transformação para os que atingem o grande porto.

O Cérebro Perispiritual

O cérebro humano é um produto da evolução das espécies. Elaborado desde milhões de anos, vem aperfeiçoando-se conforme as necessidades do Espírito, no que tange a buscar alimentos, selecionar, sentir, procriar, memorizar e desenvolver a inteligência.

Saiu do simples impulso instintivo para a irritabilidade, passou pela sensação, adentrou-se no instinto e atingiu a razão. Nessa sua peregrinação evolutiva, o princípio inteligente vem armazenando informações, de maneira que, ao atingir a fase humana, seu cérebro perispirítico já continha vasto registro de impressões e sensações relativas à luta pela vida e pela sobrevivência, que poderiam ser racionalizadas e ordenadas formando lições.


Com o homem nasceu a ciência e com o seu pensar surgiu a filosofia. A evolução cerebral se fez basicamente do interior para o exterior, de vez que o seu núcleo central, mais conhecido como tronco cerebral é que conduz as funções básicas da vida, desde os batimentos cardíacos até a harmonia respiratória.