Numa pequena cidade da antiga Bourgogne, que nos abstemos de
nomear, mas que poderíamos dar a conhecer se necessário, existe um pobre velho
que a fé espírita sustenta em sua miséria, vivendo tão bem quanto mal do
medíocre produto que lhe traz a venda ambulante de pequenos objetos nas
localidades vizinhas.
É um homem bom, compassivo, prestando serviço cada vez que disto
acha a ocasião, e, certamente, acima de sua posição pela elevação de seus
pensamentos. O Espiritismo lhe deu a fé em Deus e na imortalidade, a coragem
e a resignação.
Um dia, numa de suas andanças, encontrou uma jovem viúva, mãe de
várias criancinhas, que, depois da morte de seu marido que ela adorava, louca
de desespero, e se vendo sem recursos, perdeu completamente a razão.
Atraído pela simpatia para com essa grande dor, procurou ver
essa infeliz mulher, a fim de julgar se seu estado era sem remédio. A privação
na qual a encontrou redobrou sua compaixão; mas, ele mesmo pobre, não podia lhe
dar senão consolações.













