As portas do deserto erguem-se os templos, os pilonos e as
pirâmides, florestas de pedra debaixo de um céu de fogo. As esfinges, retraídas
e sonhadoras, contemplam a planície, e as necrópoles, talhadas na rocha, abrem seus
sólios profundos à margem do rio silencioso. É o Egito, terra estranha, livro
venerável, no qual o homem moderno apenas começa a soletrar o mistério das
idades, dos povos e das religiões.
A Índia, diz a maior parte dos orientalistas, comunicou ao Egito
a sua civilização e a sua fé; outros, não menos eruditos, afirmam que, em época
remota, já a terra de Ísis possuia suas próprias tradições. Estas são a herança
de uma raça extinta, a vermelha, que ocupava todo o Continente austral, e que
foi aniquilada por lutas formidáveis contra os brancos e por cataclismos
geológicos.
A Esfinge de Gizé, anterior em vários milhares de anos à grande
pirâmide, e levantada pelos vermelhos no ponto em que o Nilo se juntava então
ao mar, é um dos raros monumentos que esses tempos remotos nos legaram.











